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	<title>Jardim Virtual</title>
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		<title>A origem da sabedoria</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 12:28:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um princípio de tarde, tempo ameno, uma cidade grande do mundo antigo. Um homem encontra-se de pé, diante de uma multidão, obrigado a falar. Este homem, em sua vida, jamais discursou para uma multidão. Muito pelo contrário: compraz-lhe a conversa intimista, de poucas pessoas, mesmo duas, como situação ideal. A timidez deve brotar-lhe à face, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=107&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um princípio de tarde, tempo ameno, uma cidade grande do mundo antigo. Um homem encontra-se de pé, diante de uma multidão, obrigado a falar. Este homem, em sua vida, jamais discursou para uma multidão. Muito pelo contrário: compraz-lhe a conversa intimista, de poucas pessoas, mesmo duas, como situação ideal. A timidez deve brotar-lhe à face, as palavras devem embolar-se, o próprio modo de falar com o corpo deve atrapalhar-lhe, afinal, para quem olhar?</p>
<p>Entretanto, apesar da situação adversa, imbuído de uma vontade sem limites de ser sincero e não enganar as pessoas, ele começa a falar e, a despeito de sua linguagem simples, nada prolixa e rebuscada, encaminha bem seus argumentos. E o tema de sua explanação é a ¨origem do ódio aos filósofos¨. Origem esta encontrada tanto entre os considerados doutos como os considerados ignorantes. É precis entender, sem dúvida, a fonte de onde brota cada um desses ódios, diferentes e semelhantes entre si.</p>
<p>Seu argumento é, ao mesmo tempo, claro e difícil de ser assimilado, pois possuis diversas implicações, sentidos para os quais os ouvintes ainda não estão preparados. Levará milênios até que se fale em psicologia, sociologia, teoria política, embora traços destas regiões do conhecimentos estejam em seu discurso. E não só deve ele contar com a dificuldade, oriunda do espírito conservador humano, em ser compreendido, como também com a vontade inerente a alguns de não aceitarem, quaisquer que sejam, seus argumentos.</p>
<p>E qual a motivação deste ódio? Ela é, a rigor, dupla: ele, por um lado, tenta fazer com que os supostos homens sábios de seu tempo reconheçam em si mesmos a ignorância reinante em seus espíritos. Ora, um homem cujas vitórias e renome foram conquistados através desta suposta sapiência não desejará de modo algum abandoná-la. Não entenderá que a proposta do outro é tão-somente que ambos reconheçam a ignorância reinante no espírito humano, mas sentir-se-á ofendido em sua personalidade, uma vez que o conhecimento, ainda que pseudo seja, a compõe.</p>
<p>Julgará que este homem pretende ensiná-lo algo, mostrar uma sabedoria superior à sua, como se estivesse em jogo uma tal disputa. Sendo um disputador, este pseudo-sábio julgará o homem que pretende apenas lhe advertir como um disputador, como sendo igual a si, pois não é capaz de entender o outro a partir do outro, mas apenas a partir de si mesmo e de seus valores. Ora, uma tal anuência seria o reconhecimento de que é preciso, no mínimo, recomeçar.</p>
<p>Do outro lado, temos o ódio do ignorante, este que supostamente não se julga sábio mas ao mesmo tempo não entende a própria ignorância. E este odeia-lhe por dois motivos: primeiro, pode ter sido discípulo de um dos pseudo-sábios e não quer acreditar ter perdido seu tempo e, muitas vezes, o seu dinheiro, para receber ignorância, que ele já possui, muitas vezes em abundância. Mas em segundo, e talvez principalmente, porque este homem ignorante precisa de heróis, referências, ídolos a que seguir. É extremamente trabalhoso ser responsável, autônomo, guia da própria vida.</p>
<p>Juntos, o pseudo-sábio e o ignorante reunem-se para deliberar sobre o que fazer a respeito deste homem, tormenta sobretudo espiritual, mais que política inclusive. E tomam a decisão mais acertada para espíritos como os seus: eliminá-lo de alguma forma. Por que manter vivo um adversário de qualidade? Por que manter vivo alguém que nos desautomatiza, nos convida a sair de nossa mediocridade? Fazer isto seria aceitar o seu ensinamento, reconhecer a própria ignorância e a necessidade de mudança completa. Nada mais apropriado, nada mais de acordo com seus valores, portanto, que matá-lo&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jardinseliseos.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jardinseliseos.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=107&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vida segundo a idéia de proximidade da física clássica</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 23:22:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafabaere</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é um texto pouco recomendado para os amantes da vida que se vive diante das telas de um computador ou através de meios de comunicação à distância. Procuraremos fazer uma apologia da vida vivida na proximidade, quando as margens dos seres se entrechocam, num roçar por vezes conflituoso, por vezes pacífico, às vezes agradável, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=104&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este é um texto pouco recomendado para os amantes da vida que se vive diante das telas de um computador ou através de meios de comunicação à distância. Procuraremos fazer uma apologia da vida vivida na proximidade, quando as margens dos seres se entrechocam, num roçar por vezes conflituoso, por vezes pacífico, às vezes agradável, às vezes nem tanto. Trata-se de, à moda antiga, fazer um elogio a certo tema, ou divindade, respeitando certos modos de falar.</p>
<p>Se tomamos como exemplo os antigos ritos e mistérios iniciáticos entre os gregos, temos a oportunidade de perceber o seguinte: era ao tom da fala do sacerdote que se dava importância, a como as palavras eram pronunciadas, quais palavras eram ditas, os acentos e variantes murmurados ou falados em voz alta. Os gregos sabiam o quão marcante e definitivo poderia ser um discurso e exatamente por isto davam importância à fala presencial, diante do ouvinte.</p>
<p>Parece-nos haver uma diferença entre esta preferência por uma situação de discurso presencial, na qual locutor e interlocutor estão próximos fisicamente e a maneira moderna de proceder. Utilizando os meios de comunicação à distância temos a impressão muitas vezes de perder esse tom, essa ccor da fala. Muitas vezes conjecturamos que pessoas podem ter encontrado problemas na comunicação, oriundos justamente desta pouca precisão, pouca clareza da comunicação distante e intermediada por meios modernos.</p>
<p>Quantas vezes um ponto de exclamação não significará uma exaltação irritada, quando seu autor gostaria apenas de enfatizar um ponto, ou estaria exultante com uma situação? E a mágoa oriunda deste mal-entendido, até ser sanada, quem se dará conta dela? O meio de comunicação moderno apenas transmite, e utilizamos apenas aqui para retratar a frieza, a objetividade assustadoramente inanimada de algo que não possui sentimentos, impressões, memórias, mas que muitas vezes, talvez na totalidade das vezes, precisaria transmiti-los, sob pena de que muito seja perdido.</p>
<div>
<p>Talvez seja o desejo de uma alma antiga, amante de valores antigos, buscando o encontro, este acontecimento temido por tantas pessoas, mas tão importante para a alma. Ou talvez seja o desejo de alguém extremamente exigente com a claridade, honestidade e sinceridade dos discursos, ciente da importância das palavras para a vida interna do ser humano, pois muitas vezes um discurso fica escrito em uma alma, marcando-a por toda a vida. E frequentemente pode ocorrer de ser este um discurso aparentemente simples, versando sobre um tema trivial, em uma conversa absolutamente descomprometida&#8230;</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jardinseliseos.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jardinseliseos.wordpress.com/104/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=104&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carpe Diem moderno</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 08:08:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafabaere</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A filosofia de nosso tempo tende a interpretar a máxima ¨Carpe Diem¨ atribuída a Epicuro como uma espécie de viver o momento presente, um momento quase igualado ao instante. Esta interpretação pode ter sido influenciada, sobretudo nos últimos dois séculos, pelo positivismo. Sem embargo, esta maneira de entender a realidade e de proceder intelectualmente admite [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=101&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A filosofia de nosso tempo tende a interpretar a máxima ¨Carpe Diem¨ atribuída a Epicuro como uma espécie de viver o momento presente, um momento quase igualado ao instante. Esta interpretação pode ter sido influenciada, sobretudo nos últimos dois séculos, pelo positivismo. Sem embargo, esta maneira de entender a realidade e de proceder intelectualmente admite o presente como aquilo passível de mudança e portanto como a realidade na qual somos capazes de interferir.</p>
<p>O senso-comum, influenciado sempre em suas idéias pelas idéias filosóficas, bem como normalmente um mau aproveitador destas idéias, tomou para si esta discussão filosófica e fez uso daquilo que mais lhe aprouve. Isto pode ter sido a origem do modo de pensar corriqueiro, cuja máxima é justamente viver o agora, pois o passado é inalterável e o futuro ou bem não existe ou é desconhecido, dependendo do gosto interpretativo do leitor.</p>
<p>A pergunta quase naturalmente feita por alguém com a pretensão de filosofar com seriedade é feita: pode-se esquecer o passado, ou ignorá-lo, desprezar o futuro, ou também não ocupar-se dele, vivendo apenas o presente entendido como um instante rasgado da totalidade do tempo? É possível considerar o presente uma realidade completamente dissociada do passado e sem qualquer papel relevante no futuro? Temos dúvidas a respeito, e parece-nos serem pertinentes estas dúvidas.</p>
<p>Um amante da totalidade do tempo, também definível neste momennto como um cúmplice da vida, vive todos os momentos e portanto todos os tempos. Para ele, as peripécias e sabores do passado são motivo de reflexão constante, visto ser o caminho percorrido o que o faz. Seu passado é passível de constante conjectura e reordenamento, chegando ao ápice com o reinventar de sua mais tenra idade e suas memórias de juventude. Os arquétipos oriundos de seus sonhos e experimentos mais remotos são passíveis de mudança, num esforço monumental por mudar seus valores mais íntimos e primitivos.</p>
<p>Poderia ele deixar de ocupar-se também de seu futuro, agindo no presente sem maiores preocupações com os desdobrameentos desse agir? Poderia ele não sonhar, uma vez que o sonhador acordado sempre projeta para a frente? Por qual motivo lançar-se-ia ele em projetos de longo prazo, como aprender uma língua pertencente a outro tronco linguístico, cursar um doutorado, ter um filho ou casar-se, se não lhe passasse, ainda que como sombra, uma idéia ou projeção do futuro? O porvir é certamente fonte de reflexão constante, sobretudo para quem deseja mudar a si mesmo e mudar em seguida um universo ainda maior.</p>
<p>O amante da totalidade do tempo pode, em último caso, desconsiderar as idéias de passado, presente e futuro, fruto de acordos sociais e força da cultura e dos valores, vivendo o tempo – ou já nem deveríamos mais usar o termo ¨tempo¨, mas sim ¨vida¨ &#8211; sem necessariamente dividi-lo, separá-lo como se suas ações não estivessem ligadas umas às outras? Não desconsideramos, sem dúvida, a idéia de que o tempo não é necessariamente duração – como um dado imediato do consciente – mas sim ruptura, e que a reflexão une os instantes descozidos pelo viver.</p>
<p>Mas também não deixamos de lado a idéia possível de que não temos de nos ocupar disso, salvo para efeitos de possibilidade de conviver em sociedade, o que nos permite separar uma convenção – por vezes uma imposição, porquanto não nos foi dado o direito de discuti-la – dos valores para os quais nosso espírito realmente vive. Objetar que o fato de sairmos para almoçar em nosso horário de trabalho ao meio-dia é prova mais que suficiente para que se admita o tempo como uma realidade é ignorar que o homem é um criador de valores e permanecer num realismo inocente com o qual não nos ocupamos mais.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jardinseliseos.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jardinseliseos.wordpress.com/101/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=101&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Que ensinar?</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 04:23:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafabaere</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando temos a pretensão de ensinar algo, muitas vezes nos esquecemos de fazer uma pergunta simples, aparentemente trivial, mas vital para nós mesmos: que ensinar? Esquecemo-nos desta pergunta, parece-nos, por um motivo sutil, quase inconsciente, mas presente em nossa maneira de agir perante o conhecimento: acreditamos conhecer, saber sobre o que estamos ensinando. Consideramos então [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=99&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando temos a pretensão de ensinar algo, muitas vezes nos esquecemos de fazer uma pergunta simples, aparentemente trivial, mas vital para nós mesmos: que ensinar? Esquecemo-nos desta pergunta, parece-nos, por um motivo sutil, quase inconsciente, mas presente em nossa maneira de agir perante o conhecimento: acreditamos conhecer, saber sobre o que estamos ensinando. Consideramos então que basta apenas contar aos outros, explicando argumentos que nos parecem evidentes, uma vez que temos contato com eles desde muito tempo.</p>
<p>Um mestre certa vez disse que ensinamos o que é para nós uma verdade, seja no espírito, ao tratar de conhecimento teórico, seja no corpo ou no agir, ao tratar-se de conhecimento prático. O sentido emprestado ao termo verdade, neste caso, pareceu-nos querer ser o seguinte: o de algo em que acreditamos, vivemos, experienciamos e temos consolidado dentro de nós – se quisermos ser o mais abrangentes possível. Não poderíamos, portanto, ensinar o que nos confunde, aquilo de que duvidamos, ou não vivenciamos, não temos segurança a respeito.</p>
<p>Isso nos fez recordar uma passagem de Roland Barthes, em um texto intitulado ¨Aula¨, em que ele afirma o seguinte: ¨ensinamos primeiro o que sabemos; em determinado momento passamos a ensinar o que não sabemos e isto se chama pesquisar¨. Se nos propomos a ensinar algo, entendemos ser necessário tratar deste algo como um todo, sob pena de nos fazermos lacunares e formarmos seres lacunares. Se ensinamos o que não é uma verdade para nós – se isto for realmente indispensável – talvez possa ser para outros.</p>
<p>Tomemos o exemplo teórico: um professor de filosofia, seja em que âmbito atue, deveria poder ser indagado pelos seus alunos a respeito de filosofia antiga, desde Homero, até a filosofia mais contemporânea, quando indagado sobre Deleuze, por exemplo. Isto não significa superficialidade, tampouco conhecimento pouco consistente. Significa apenas que, frente ao aprendiz, que por vezes se inicia na vida filosófica, o professor é aprendiz a mais tempo, possuindo assim um conhecimento sutil, pouco valorizado, mas a nosso ver importante: ele tem uma noção de como a coisa funciona e pode servir de ponte&#8230;</p>
<p>Se vamos a um exemplo de caráter mais prático, como a dança, temos o seguinte: ensinamos os movimentos com os quais temos mais intimidade, cujo caráter reflete nossa dança, os quais praticamos mais, ou ensinamos a dançar? Se ensinamos o que para nós é uma ¨verdade¨ corremos o risco de não ensinar o aluno a dançar, mas sim de ensinarmos a nós mesmos para ele, e isso nos parece um pecado pedagógico. Não ensinamos a nós mesmos, para que o aluno seja, talvez, um dia, nossa sombra, projetada sob outro ângulo, talvez um pouco diferente.</p>
<p>Ainda que não conheçamos bem todos os movimentos da dança a que nos propomos lecionar, temos o dever intelectual de estudá-los e sermos minimamente capazes de explicá-los, exemplificá-los e corrigi-los em uma aula. Consideramos que o mesmo se dá com a filosofia, o exemplo teórico acima referido. Ensinar é também um trabalho de aprendizado, e dizemos isto sem qualquer moralismo de final de texto, mas como algo que aprendemos a entender ao longo de um percurso de estudos e de aprendizados teóricos e práticos nas mais diversas áreas.</p>
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		<title>Depois do imediato</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 04:07:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>rafabaere</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrou no metrô e sentou-se. O vagão, agora com todos os assentos ocupados e com algumas pessoas em pé, começou a deslocar-se. Um rapaz levantou-se para que a senhora que acabara de entrar pudesse sentar-se, o que fez de súbito. Um senhor, que entrara no mesmo vagão, veio nesta direção e deteve-se diante do outro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jardinseliseos.wordpress.com&amp;blog=11143909&amp;post=92&amp;subd=jardinseliseos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrou no metrô e sentou-se. O vagão, agora com todos os assentos ocupados e com algumas pessoas em pé, começou a deslocar-se. Um rapaz levantou-se para que a senhora que acabara de entrar pudesse sentar-se, o que fez de súbito. Um senhor, que entrara no mesmo vagão, veio nesta direção e deteve-se diante do outro rapaz, sentado em assentos comuns, não preferenciais. Com seus vinte e poucos anos, o jovem não piscou. Continuou sentado, imóvel, com naturalidade e espontaneidade.</p>
<p>Passada uma estação, a senhora a seu lado, a mesma, cujo assento fôra cedido por um rapaz, começou a inquietar-se. O senhor olhou para o rapaz sentado com um ar de insatisfação, misturado quiçá com reprovação. Este permaneceu inabalável. Poucas pessoas no vagão se deram conta de todo o ocorrido. Na estação seguinte, faltando ainda cerca de dez para o destino final, a senhora voltou a impacientar-se, revolvendo-se em seu assento, plena de razão de de inconformismo com a postura do jovem sentado.</p>
<p>Na terceira estação, não podendo mais conter seus valores, extravasou-os com uma reprovação oral, plena de empáfia e certeza: ¨Você não vai se levantar para que este senhor se sente?¨, perguntou exigindo. Com sua sacolinha de plástico de farmácia na mão, respondeu o rapaz: ¨Não senhora¨, o que a fez esbugalhar dois olhos enormes – e se possuísse dez olhos os teria esbugalhado todos – e inquirir, militarmente: ¨Mas como não?¨ O rapaz, com toda a calma do mundo, olhou para o senhor, que o olhava com toda a reprovação deste mundo, conformado em seu silêncio indignado.</p>
<p>¨Minha senhora¨, começou, ¨neste momento a minha coluna terá talvez o dobro da idade em relação à coluna deste senhor, pois estou com uma lombalgia aguda, uma inflamação no ciático e uma vértebra fora do lugar na região sacro-lombar. Mal paro de pé e estes aqui são todos os remédios que tomo para amenizar a minha dor e ter condições de pelo menos entrar no metrô e ir até o médico¨. A senhora estagnou, completamente petrificada e sem qualquer possibilidade de reação. O ssenhor, atentíssimo à conversa, tornou subitamente a cabeça para outro lado e mudou de expressão.</p>
<p>Andou mais três ou quatro estações e desceu. Qual uma flor que murcha até apodrecer e morrer, murchava a senhora em seu assento, cada vez mais encolhida e de cabeça baixa. Se houvesse talvez mais quinze estações, alguém que entrasse poderia sentar-se em cima dela, pois ela simplesmente ia desaparecendo, encolhida e retraída em sua atual desrazão. Não sabemos quando ela desceu nem se houve diálogo entre ela e o senhor seu protegido, para quem ela reivindicou direitos metafísicos, para além do humano, como se o mundo tivesse nascido com estas leis.</p>
<p>O que sabemos é que, tomando contato com este episódio, passamos a nos dar conta de algo que já nos ocupava e preocupava há tempos, e que recebeu corroboração com o episódio narrado: é preciso muita sensibilidade e capacidade de percepção para entender as ações humanas, tal a riqueza de sentidos e justificativas que as orientam. O mais fácil e imediato, no caso narrado, seria considerar o rapaz um mal-educado e alguém sem valores, mesmo tratando-se, vale dizer outra vez, de um assento comum no vagão.</p>
<div>
<p>O problema é que somos muitos, e muito diferentes, embora, para se satisfazer um desejo de controle e de respostas à ações, deseje-se cada vez mais padronizar o ser humano, seja em valores inatos, seja em instintos, em modos de viver ou de pensar. Mas é indispensável que nos demos conta, o quanto antes, da pluralidade e riqueza do mundo, ainda que possamos encontrar grupos, por vezes grandes mesmo, que aparentem confirmar esta expectativa de padronização do ser humano. Mais: devemos lutar contra o sentimento preguiçoso que temos de querer que as pessoas sejam assim, para que se torne mais fácil entendê-las&#8230;</p>
</div>
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